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Sul Investe Na Produção De Arroz Orgânico

O pequeno município de Ermo, no Extremo-sul catarinense, é celeiro na produção de arroz orgânico. À frente da empreitada está a bióloga Bárbara Topanotti, que encampou o ofício herdado do irmão, Rogério, funcionário de carreira da Epagri há 19 anos, morto prematuramente vítima de acidente de trânsito há três anos.
Rogério foi pioneiro nos estudos do arroz orgânico na região e montou em 2001 uma empresa para cultivar e beneficiar o arroz. A primeira variedade na qual a família apostou foi a Arborio, um cultivare italiano indicado para risoto. “Após a morte de Rogério, encontramos no depósito meia saca da semente que ele tinha recebido da Itália. Resgatamos elas e decidimos apostar”, lembra Bárbara, que assumiu a missão de suceder o irmão nos negócios, comercializando hoje em torno de 5 mil quilos/mês. Em outro ponta, Bárbara contou com a ajuda de seu irmão mais velho, Ângelo, que até então produzia tão-somente arroz convencional e migrou para o orgânico convencido dos benefícios que a mudança iria acarretar.

Ângelo dedica 12 hectares de sua propriedade em Ermo para o arrroz da variedade Cateto, carro- -chefe da produção da família. “O Cateto é japônico, indicado para pratos orientais e bastante apreciado pelos que utilizam a dieta macrobiótica”, explica Bárbara, que acompanha do cultivo ao beneficiamento.

MERCADO

A família Topanotti vende de 4 a 5 mil quilos de arroz ao mês. Do total, 80% são da variedade Cateto, o japônico, indicado para dietas macrobióticas.
Sem contar com apoio logístico de representantes, os Topanotti têm como mercado consumidor o Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília e a região de Florianópolis.

Além de contar com a produção própria de 12 hectares, a empresa compra ainda arroz do assentamento rural do Rio Grande do Sul para dar conta da crescente demanda. “Temos capacidade para processar 4 mil sacas/ano”, revela Bárbara BOOM Na estrada da comercialização há cerca de dois anos e meio, Bárbara afirma que há um ano as vendas deram um salto, o que a levou à busca de novos fornecedores. Para 2012, a empresária tem em mente uma parceria com os produtores rurais de Praia Grande. Outra novidade é que a Topanotti vai colocar no mercado o arroz polido. “Estamos implantando o processo”, comemora.

UMA OPÇÃO PELA VIDA

Produtor trocou convencional pelo orgânico depois de intoxicação A família Topanotti está completamente envolvida na produção e comercialização do arroz orgânico em Ermo. Enquanto Bárbara beneficia e comercializa o produto, o irmão Ângelo, 46 anos, continua seu ofício de produtor rural.

Ângelo começou trabalhando com arroz convencional, mas mudou o rumo no início do ano 2000 porque se intoxicou com os defensivos que utilizava no método convencional. Lembra que foi estimulado à época a fazer a troca pelo irmão Rogério, que estudava as sementes na Epagri/Araranguá.

“Rogério trouxe três sacas de semente de Uruguaiana (RS) e decidi mudar. Comecei primeiro com um hectare. No ano seguinte, passei para 10 hectares”, conta o produtor, que não se arrepende da opção.

SAFRA

Fornecedor exclusivo de Bárbara, Ângelo só planta a variedade Cateto, que representa 80% dos negócios do beneficiamento Topanotti. “Minha melhor safra foi a de 2002, quando colhi 800 sacas. Hoje, em média, ela chega a 600 sacas, comercializadas a R$ 50,00”, estima o produtor. A produtividade do orgânico por hectare é de 70 a 80 sacas, enquanto que no convencional chega a 180 sacas.

Sem gasto com defensivos químicos, o produtor conta com a ajuda da mulher Deusimar e de três filhos para cuidar dos 10 hectares. “Meu gasto é só com o trator. Meu negócio com a Bárbara é de irmão para a irmão”, observa o agricultor, que aposta no crescente consumo dos orgânicos.

A produção é completamente natural. A lavoura é irrigada com a água do açude. “À água é própria e não sofre a contaminação de vizinhos”, explica.
Os marrecos também têm papel determinante na cadeia produtiva. Eles são soltos na lavoura para limpar os insetos e preparar o solo. Prova de que o sistema de produção é 100% orgânico veio de um laudo realizado através de uma pesquisa Epagri/Petrobrás, gestões de Águas, em 2006.

“Eles trouxeram filhotes de peixes e soltaram no açude. Depois de três meses, fizeram exame de sangue neles e contataram zero de contaminação”, orgulha-se o agricultor que semeia o arroz em outubro e colhe em abril. “Minha colheita é 100% mecanizada”, afirma.

O IDEALIZADOR

Não fossem os incentivos do irmão Rogér io, funcionário de carreira da Epagri/Araranguá, quem sabe Ângelo e a irmã Bárbara não tivessem migrado para o arroz orgânico.

Pela experiência nefasta que teve com o método convencional, Ângelo já tinha se convencido da mudança há tempo. Bárbara adotou o arroz mais tarde, pouco depois da morte de Rogério, quando resolveu tocar o negócio. “Tínhamos muito arroz estocado no cilo e resolvi assumir o desafio”, orgulha-se a empresária.

Fonte: Jornal da Assembleia do Estado de Santa Catarina – 04/08/2011.